Comunidade Guarani

A comunidade guarani do oeste do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e região de fronteira com Paraguai e Argentina tem um passado histórico em comum. Atualmente o projeto Educom Guarani está presente apenas em três tekohas, demarcados enquanto aldeias pela Funai, localizadas no oeste do Paraná.

Atualmente participam de nosso projeto Educom Guarani as aldeias indígenas Tekoha Añetete e Tekoha Itamarã, localizadas em Diamente D’Oeste, e o Tekoha Ocoy, no município de São Miguel do Iguaçu, todas localizadas na região oeste do estado do Paraná. Um aspecto comum entre as aldeias, tekohas, é que são territórios demarcados na história recente do povo guarani. E este não é um episódio qualquer.

A construção da Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional (1975-1982), realizada durante as ditaduras militares brasileira e paraguaia, é mais um capítulo na história de violência sofrida pelos povos Avá-Guarani, Guarani Nhandeva e Mbyá Guarani. O alagamento produzido pela construção da barragem causou uma transformação definitiva na paisagem, afetando a sobrevivência física e cultural do povo guarani.

A presença indígena na área - com a chancela da Funai, por meio de diagnósticos precários - causaram danos que são sentidos até hoje. Aldeias inteiras foram alagadas, moradias foram destruídas e redes de parentesco foram afetadas. A obra também afetou lugares históricos e sagrados, como o famoso Salto de Sete Quedas, localizado em Guaíra, além de cemitérios e sítios arqueológicos que servem de referência à ocupação indígena na região.

Depois da construção da Usina e do alagamento da maior parte dos antigos Tekohas Guasu Guavirá, entre os município de Guaíra e Terra Roxa e Tekoha Guasu Ocoy-Jacutinga, entre Foz do Iguaçu e Santa Helena, as pessoas que moravam na região foram trazidas para onde hoje está localizada a atual aldeia Ocoy, demarcada no ano de 1986 como território Avá-Guarani, no município de São Miguel do Iguaçu. Atualmente vivem aproximadamente 900 pessoas na Reserva Ocoy, em uma área de 250 hectares.

Já os tekohas Anhetete e Itamarã foram fruto da organização das comunidades em demanda de reparação histórica. Em 1997 foi adquirida pela Itaipu a Reserva Tekoha Añetete, com uma área de 1.744 hectares, e em 2007, o Tekoha Itamarã, com 244 hectares, ambos no município de Diamante D’Oeste. Também foram reocupados outros lugares como a aldeia Vy`a renda e, Mokoi joegua, em Santa Helena, e Aty Miri em Itaipulândia.

Mesmo após a construção da usina e das migrações promovidas por ela (ou indiretamente relacionados a ela), a região se manteve majoritariamente Guarani e Mbyá, embora as duas parcialidades afetadas pela UHE Itaipu no lado brasileiro possuam famílias originárias Mbyá e Kaiowá. Já a parcialidade do Ocoy-Jacutinga (que hoje engloba áreas nos municípios de São Miguel do Iguaçu, Diamante D`Oeste, Santa Helena e Itaipulândia) é composta também por famílias Mbyá (especialmente em Añetete e Itamarã) ao passo que no Tekoha Guasu Guavirá existem diversas famílias de origem Kaiowá.

Nota: Os dados e informações do texto usam informações do livro Avá-Guarani: A construção da Itaipu e os direitos territoriais (2019), e também o Relatório do Grupo de Trabalho da Itaipu (2019).